Quem pariu Mateus que o embale conosco e faça a autocrítica: um diálogo com o texto de Vera Magalhães no jornal O Globo: “Áudio de Bolsonaro com Kajuru é mais grave que o ‘Bessias’ de Dilma”.

(por Rafael Faria / Seção Zumbidos / foto de capa: recorte do quadro “Saturno devorando um filho”, 1873, Francisco de Goya)

Eu fico vendo jornalistas que pariram Mateus, se questionando como é possível que o impeachment não ocorra com Bolsonaro se ocorreu com Dilma Rousseff por motivos bem menores. Isso já é um ato falho por si só, pois não há hierarquia de fato jurídico para o crime de responsabilidade. Escorregam deixando latente que sabem que o processo foi puramente político e que essa conspiração desrespeitou a vontade popular.

Aproveitam ainda, talvez convenientemente, para equiparar o impeachment de Collor com o golpe em Dilma. Ou seja, se considerarem os fatores políticos como preponderantes para os processos de impedimento, equiparam o impeachment de um coronel de “boa aparência”, herdeiro político de partido nanico construído artificialmente com a ajuda da grande mídia para derrotar (olha só!!!) o Lula nas eleições de 1989, com o “impeachment” de uma mulher que teve a maior aprovação de um governo na democracia de então. O impeachment do primeiro nos levou ao período de maior qualidade daquilo que considerávamos democracia, o impeachment da presidenta nos levou ao pior período. Isso só para começarmos a falar das diferenças entre indivíduos, partidos, apoios, histórias e contextos.

Não sei se por falta de imaginação ou tentativa de retirar a própria culpa do cartório, mas será que essas pessoas não vão fazer nunca a relação entre o Golpe de 2016 e a ascensão do inominável???

Bolsonaro é a síntese do processo histórico chamado de “acordão com o Supremo com tudo”, do qual falou na época o então senador Romero Jucá. Hoje sabemos que os militares que ameaçam os poderes fizeram parte desse “tudo”.

A análise ruim desses jornalistas, hoje, é plenamente compatível com o péssimo cálculo político que fizeram na época ou com o parco conhecimento em história do Brasil que têm. Não perceberam ainda que a delicada, frágil e mal acabada democracia brasileira se desanca para o passado autoritário ao menor bater de asas de uma borboleta.

Respondo aos “pouco imaginativos” o por que não vai ocorrer impeachment: Bolsonaro faz parte do corpo de Mateus que vocês da mídia hegemônica e seus “consultores”, agora já evidenciado, ajudaram a parir. E Mateus não vai se automutilar, Mateus não vai promover a sua própria amputação. E vocês terão que embalá-lo conosco até o 1 milhão de mortos por Covid-19, que foram previstos desde o início pelos pesquisadores das ciências biológicas.

Antes que me acusem de promover o “nós contra eles”, faço um convite: querem sofrer e lutar conosco diante desse Brasil de 2021? Que venham!, mas aproveito para sugerir que façam a autocrítica que tanto exigiram do PT, que reconheçam a falta de cálculo político e a guerra suja que fizeram, que reconheçam que foram maus perdedores. Venham para o lado da democracia, agora sabedores de que apanhar num ambiente democrático é melhor do que apanhar num ambiente miliciano de crime e autoritarismo. Embalem nosso bastardo conosco, sejam bem-vindos, queridos, e, agora, responsáveis pais.

(foto de capa: recorte do quadro “Saturno devorando um filho”, 1873, Francisco de Goya)

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