Seção “Prosas de batuques e cachaças”: “Memórias póstumas de um homem quase vivo” (por Yuri Moura)

Cheguei em casa decidido: aquele seria o dia do meu eterno repouso. Algum doutor da academia – talvez Sartre – disse certa vez que existir é beber-se sem ter sede. Pois bem, decidi quebrar o copo. Já havia broxado com a vida há algum tempo, me sentia cansado e oco. Cansado dos problemas, das contas, dos banhos quentes, das desgraças, da sensação de barriga cheia depois do almoço, do trabalho e dos orgasmos – mecânicos – como as articulações e a filosofia.