Conto

Seção Prosa de batuques e cachaças
(por Yuri Moura)

(…)Em um mundo normal, por dias e noites viajaram agarrados ao animal com mais de mil
séculos. Durante a viagem, eles se revezavam para ver quem ficava mais tempo suspenso nas alturas, se equilibrando com as costas sobre os jatos de água que saíam do chafariz da baleia. Tudo isso sem perder de vista a pipa (…)

Seção “Prosas de batuques e cachaças”: “Memórias póstumas de um homem quase vivo” (por Yuri Moura)

Cheguei em casa decidido: aquele seria o dia do meu eterno repouso. Algum doutor da academia – talvez Sartre – disse certa vez que existir é beber-se sem ter sede. Pois bem, decidi quebrar o copo. Já havia broxado com a vida há algum tempo, me sentia cansado e oco. Cansado dos problemas, das contas, dos banhos quentes, das desgraças, da sensação de barriga cheia depois do almoço, do trabalho e dos orgasmos – mecânicos – como as articulações e a filosofia.